Os 3 Sharira

“Eu sou uma alma que tomou um corpo”

Segundo a filosofia yogi, o Ser Humano é composto por três corpos ou sharira: o corpo denso, o corpo subtil e o corpo causal.

Sthula Sharira – Corpo Denso
Os aspectos físicos, tangíveis, percepcionados pelos sentidos, do corpo humano: os ossos, músculos, órgãos, tudo o que conseguimos ver ou palpar.
Os 5 elementos estão presentes no corpo grosseiro: a terra (prithvi) está presente nos sais minerais; a água (jala) ocupa cerca de 65% do corpo físico; o fogo (agni) sob a forma de temperatura; o elemento ar (vayu) está presente sob a forma de oxigénio e diversos gases que circulam no organismo; e o éter (akash) manifesta-se no espaço que o corpo denso ocupa.
Segundo Sri Shankaracharya, este corpo físico está sujeito a seis modificações, uma vez que existe, nasce, cresce, transforma-se, decai e morre, e é o lugar de bhoga (experiência de prazer/alegria (sukha) e dor/tristeza (dukha)).
O corpo físico é mithya, aparentemente real, e anitya, impermanente e mutável, sendo, dessa forma, diferente do atman (real e permanente) ou Eu verdadeiro.
Na prática de yoga, o sthula sharira é maioritariamente trabalhado através da prática de asana – posições físicas, sensoriais e psíquicas. É importante manter a saúde no corpo físico uma vez que este serve de suporte para os restantes corpos.


“Da mesma forma que uma pessoa, tendo largado roupas velhas, adquire outras novas, também o habitante do corpo, tendo largado os corpos velhos, adquire outros novos.”

Bhagavad Gita 2.22


Sukshma Sharira – Corpo Subtil
O corpo astral, energético ou subtil está ligado ao corpo físico através de um delicado fio através do qual a energia vital passa, agindo como ponte entre o corpo físico e o corpo causal. Apesar de ser invisível, não percepcionado pelos 5 sentidos, este corpo manifesta-se através de sentimentos, emoções, pensamentos e ações. É aqui que residem os centros energéticos conhecidos como chakras e os canais por onde a energia circula, as nadis. É o corpo subtil que anima o corpo físico, tornando-o vivo e com capacidade para vivenciar o mundo.
Uma vez que é etéreo, está presente em todo o corpo físico e é a ligação entre este e o atman. Crê-se que, quando o corpo físico morre, o corpo subtil permanece, separando-se dele, e de acordo com o karma desenvolvido em vida (jiva), como consequência de ações corretas (que geram punya) ou incorrectas (que geram papa), irá novamente assumir nova forma física, viva. É aqui também que residem as impressões mentais denominadas por samskaras.
O corpo subtil é composto pelos 5 órgãos de ação (karmendriya), pelos 5 sentidos (jñanendriyas), pelas 5 funções fisiológicas (pranadayah), pelo ego (ahamkara), pela mente individual (manas) e pela mente superior (buddhi) (os chamados guardiões do portal – Antahkarana – ver artigo Os 25 tattvas) e pelos 5 prana (prana, udana, apana, samana e vyana) – ver artigo sobre Os 5 Prana
Na prática de yoga, o sukshma sharira é trabalhado através de todos os anga, mas principalmente através de asana, pranayama – técnicas respiratórios de domínio do prana (energia vital), mantra e dhyana (meditação).


Karana Sharira – Corpo Causal
O corpo causal é também conhecido como corpo espiritual ou corpo da semente. Assim como uma semente ou bolbo contém uma reprodução exata da planta que irá produzir, também o corpo causal contém impressões subtis na forma de karma. Estas impressões determinam o desenvolvimento dos outros dois corpos, sukshma e sthula sharira. No momento da morte, o corpo causal e o corpo subtil separam-se do corpo físico, num processo vulgarmente conhecido como reencarnação. O corpo causal está diretamente relacionado com o divino e é através dele que atingimos o samadhi e posteriormente o último estado da prática: a auto-realização. Conceitos como alma, registo kármico, livre arbítrio e samsara são inseridos neste corpo.
Para Sri Shankaracharya, o corpo causal pode ser definido como o que não está sujeito a ser categoricamente definido, é avidya (no sentido em que ignora a sua natureza real), e é totalmente livre de formas, escapando à dualidade. É a causa não manifesta (karana) e a sua manifestação (karya) são os outros dois corpos que dele provém – o subtil e o físico, tal como uma semente contém dentro de si uma potencial árvore, ainda por manifestar.

Continua no artigo Os 5 Kosha

 


Referências
Yoga – Mind & Body – Sivananda Yoga Vedanta Center
Tattvabodhah – O Conhecimento da Verdade – Sri Shankaracharya, de Paulo Abreu Vieira
ArhantaYoga.org