YS II.47 e 48 – … Ananta Samapatti

II.47

prayatna saithilya ananta samapattibhyam

“Num relaxamento sem esforço e sem tensão, medita-se no inifito.”

prayatna: esforço contínuo
saithilya: relaxamento
ananta: infinito, sem limite, eterno
samapattibhyam: conclusão, assumir a forma original

“A perfeição num asana é atingida quando o esforço para a realizar se torna sem esforço e o Ser infinito interno é alcançado.” – B.K.S. Iyengar – Light on the Yoga Sutras of Patañjali (tradução pessoal direta).

Patañjali indica, neste sutra, que o estado máximo no asana é alcançado quando cessa o esforço, quando se torna fácil e agradável, como visto no sutra anterior, onde define o asana, e tal estado de graça permite um mergulho em si mesmo, onde existe uma fusão do Ser com o Absoluto. Neste estado de pousio, o corpo funde-se com a mente, a mente funde-se com a alma, e a alma funde-se com o Infinito, repousando num estado universal indivisível. Neste estado deixam de existir as dualidades de prazer/dor, bom/mau, contração/extensão, etc.

 

II.48

tatah dvandvah anabhighatah

“A partir daqui, não há oposição entre os contrários.”

tatah: a partir de
dvandvah: opostos, dualidades
anabhighatah: cessação das perturbações

“A partir deste momento, o sadhaka é imperturbável pelas dualidades.” – B.K.S. Iyengar – Light on the Yoga Sutras of Patañjali (tradução pessoal direta).

A partir do momento em que este estado de beatitude é alcançado, o praticante experiencia um estado de imersão onde não existe diferença entre os opostos pois a mente, que percepciona e considera as sensações, interpretando-as como positivas ou negativas, encontra-se num estado de neutralidade e perde a sua identidade com o corpo. É a libertação dos condicionamentos mentais.

Referências:
Light on the Yoga Sutras of Patañjali – B.K.S. Iyengar
Yoga-Sutra – Aforismos de Yoga – Patañjali – Tradução de José Carlos Calazans